Suposto médico pede dinheiro para exames em paciente internada na UTI do HGP e debocha: ‘passa na funerária e compra o caixão’

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Família de paciente conta que recebeu ligação do suposto médico pedindo R$ 2,3 mil para fazer procedimento. Vítimas registraram boletim de ocorrência. Suposto médico do Hospital Geral de Palmas (HGP) tenta dar golpe em família de paciente
André Araújo/Governo do Tocantins
A família da paciente Amanda Pinheiro Lopes Silva, de 24 anos, que está internada na UTI do Hospital Geral de Palmas (HGP), viveu momentos de tensão ao ser vítima de uma tentativa de golpe. Um homem, que se apresentou como médico da unidade, ligou para o pai dela, Antônio do Nascimento Lopes da Silva, e exigiu dinheiro para fazer exames dentro do hospital público. Ao perceber que a família estava desconfiada, o suposto médico debochou: “Pega esse dinheiro, já passa na funerária e compra o caixão”.
O caso foi registrado nesta quarta-feira (7) e as ligações foram gravadas. Horas depois, a família procurou uma delegacia em Miracema do Tocantins e registrou boletim de ocorrência.
A Secretaria Estadual da Saúde informou que o profissional por quem o suposto médico se fez passar, não trabalha no HGP e também já registrou BO, sobre o fato. Afirmou ainda que abrirá sindicância para apuração dos fatos e saber se há envolvimento de profissionais ligados à unidade hospitalar. (Veja a nota completa abaixo)
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Era por volta de 15h desta quarta-feira (7), quando Antônio, pai da paciente, recebeu a ligação. A família mora em Miracema do Tocantins e sofre com o estado de saúde da Amanda, internada há cerca de uma semana no HGP. A jovem tem anemia e, ao dar entrada na unidade, estava com apenas parte dos rins funcionando. Os profissionais ainda investigam as causas do problema.
Na ligação, o homem se apresentou como um médico cardiologista e nefrologista. Ele também disse o nome completo da paciente e até o leito onde ela está internada, com o objetivo de ganhar a confiança da família.
Afirmou que Amanda precisaria fazer alguns exames, caso contrário, ela poderia ser removida do leito. Disse ainda que pelo SUS iria demorar muito. Por isso, exigiu uma quantia de R$ 2.350 a prazo ou R$ 1,9 mil à vista para garantir os procedimentos.
Suposto médico entrou em contato com as vítimas por telefone
Reprodução/TV Globo
O pai de Amanda pediu para o suposto médico ligar 20 minutos depois. No segundo telefonema, seu Antônio e o marido da paciente, Ailton Pereira, resolveram gravar a conversa. O g1 teve acesso ao conteúdo.
Durante o diálogo, seu Antônio perguntou novamente o nome da paciente e o suposto médico respondeu:
“O nome da paciente que está aqui é Amanda Pinheiro. Olha, deixa eu te falar, o número do senhor está no prontuário da paciente, aqui na minha frente, é sua filha. Está aqui, eu não estou brincando de ser médico, o senhor também não está brincando com a saúde da filha do senhor. Eu estou dentro do hospital, eu não sei mais o que fazer. O SUS me pressiona daqui, nega o leito, a família nega assistência, eu fico contra a parede, a doença está matando, não sei o que fazer”.
Quando seu Antônio disse que iria até o HGP entregar o dinheiro nas mãos do suposto médico, ele disse que só receberia por transferência bancária.
“O senhor não quer dar o andamento, não quer fazer nada? Eu posso falar para o SUS, ele vai negar. O SUS está negando até o leito da paciente, eu vou ter que remover a paciente do leito dependendo do que o senhor me falar”.
Ao final da conversa, seu Antônio falou que levaria o dinheiro, mas antes passaria na delegacia para registrar Boletim de Ocorrência, já que poderia ser um golpe.
“O senhor é miliciano? O senhor está me ameaçando? Pega esse dinheiro que o senhor está vindo para o HGP já passa na funerária e compra o caixão”, debochou o suposto médico.
Após a conversa, o morador de Miracema disse que ficou com receio de que os aparelhos de Amanda fossem desligados. “Eu desconfiei no inicio que era golpe. Mas fiquei inseguro devido ele estar com os dados certinhos, e fiquei com receio de desligar os aparelhos dela”.
Durante a noite, um boato que circulou nos grupos de WhatsApp da cidade de que Amanda teria morrido, deixou a família ainda mais fragilizada.
“É ruim porque nós estamos ansiosos, frágeis. Isso é muito desumano. A pessoa que passa informações sabe certinho, deve trabalhar lá porque sabia o horário exato que a assistente social iria ligar para a gente. Ele pegou o perfil do médico que é muito conhecido, que tem clínica, que faz exames. Ele sabia nome da minha filha, o leito, estava com o prontuário nas mãos”.
O que diz a Secretaria de Saúde
A Secretaria Estadual da Saúde informa que todos os serviços oferecidos nas unidades hospitalares geridas pela Pasta são por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), portanto gratuitos.
A SES-TO destaca que em casos de supostas cobranças, pacientes e/ou seus familiares devem procurar os órgãos competentes para o registro de Boletim de Ocorrência (BO).
A SES-TO reitera que possui material de orientação sobre tais tentativas de golpe e quaisquer dúvidas, os familiares podem procurar as equipes dos setores de Assistência Social (das unidades onde estiverem sendo assistidos), que estão sempre à disposição para orientações. Os contatos estão disponíveis nas alas de todos os hospitais estaduais
No caso específico citado por este veículo, a SES-TO pontua que o profissional por quem o suposto médico se fez passar, não trabalha no Hospital Geral de Palmas e também já registrou BO, sobre o fato.
A SES-TO também abrirá sindicância para apuração dos fatos e saber se há envolvimento de profissionais ligados à unidade hospitalar.
Outros casos
Em julho, o g1 fez reportagem sobre uma situação semelhante vivenciada por pacientes que precisavam de atendimento no Hospital Regional de Araguaína (HRA). Um falso médico chegou a cobrar mais de R$ 1 mil nos atendimentos.
Segundo as denúncias, ele cobrava os valores para realização de exames em uma suposta clínica particular da cidade. O estabelecimento na realidade não existe. A suspeita é que ele tinha a ajuda de servidores da unidade, já que tinha acesso a informações dos pacientes, como estado de saúde, diagnósticos e ainda dados pessoais.
No ano passado, golpistas também se passaram por médicos e ligaram para famílias de pacientes internados com Covid-19. Eles pediram dinheiro e afirmaram que os valores seriam necessários para realizar uma “bateria de exames”. O caso foi registrado em Araguaína, no norte do Tocantins, e a administração do hospital registrou um boletim de ocorrência.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins