Líder indígena do Equador é preso por acusação de vandalismo, e milhares de pessoas protestam contra a detenção

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Representantes de nacionalidades indígenas reclamam do preço da gasolina e das dívidas que os bancos cobram de camponeses. Líder indígena conversa com policiais em Quito, em 14 de junho de 2022
Cristina Vega RHOR / AFP
Milhares de equatorianos bloquearam rodovias nesta terça-feira (14) em 11 das 24 províncias do país (incluindo o acesso à capital Quito) em um segundo dia de protestos contra o preço dos combustíveis, pelas dívidas que os camponeses têm com os bancos e pela prisão de um dos líderes do movimento, Leonidas Iza.
Iza foi preso por supostos atos de vandalismo. No primeiro dia, houve bloqueio de estradas, pneus em chamas e barricadas de terra e pedras.
O presidente Guillermo Lasso disse que na segunda-feira aconteceram “atos de vandalismo”, como invasões de produtores agrícolas e o ataque a uma instalação de bombeamento de petróleo na floresta amazônica. Vários ministros da área de segurança negaram que esse último fato tenha acontecido.
As reclamações não diminuíram apesar de Iza, chefe da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), ter sido preso na manhã de terça-feira.
O líder da etnia Kichwa-Panzaleo foi transferido para uma unidade da Procuradoria em Quito, segundo a ONG de direitos humanos Inredh.
A sede desta entidade está isolada por policiais e militares. Nos arredores, manifestantes agitam bandeiras do movimento indígena.
A Inredh considerou que a prisão de Iza, um engenheiro ambiental de 39 anos, “provocará maior indignação e uma onda de violência”.
Cinco detidos
O ministro do Interior, Patricio Carrillo, informou que há cinco detidos, e que todos eles aguardam audiência.
“Aqueles que cometem atos de vandalismo responderão à justiça”, disse Lasso, que assumiu o cargo há um ano.
As autoridades estimaram que cerca de 6.000 pessoas participaram dos protestos nacionais de segunda-feira.
Iza afirmou que o Executivo está minimizando as manifestações e alertou que elas continuarão de maneira indefinida.
A Confederação de Nacionalidades Indígenas propõe que os preços dos combustíveis sejam reduzidos para US$ 1,50 dólares (R$ 7,7) para o galão de 3,78 litros de diesel, e US$ 2,10 (R$ 10,78) para a gasolina de 85 octanos.
Os indígenas também protestam contra a falta de emprego e a entrega de concessões de mineração em seus territórios. Eles exigem também o controle de preços dos produtos agrícolas.
O preço dos combustíveis já foi motivo de protesto no passado: em 2019, o governo deixou de aumentar os valores depois de protestos. Veja abaixo um vídeo dessa época.
Governo do Equador volta atrás e cancela fim de subsídios a combustíveis
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Fonte: G1 Mundo