Araguainense Carlos Henrique Pereira da Silva já fez exposição com suas xilogravuras e hoje deixa sua arte na pele de clientes na capital. Conheça também outros estilos de tatuagem que ‘fazem a cabeça’ de quem curte rabiscar o corpo. Carlos Henrique faz a matriz do desenho e ‘carimba’ na pele para tatuar
Arquivo pessoal
L
A xilogravura é uma técnica de desenho em que as gravuras são entalhadas em madeira e reproduzidas em outro suporte, como o papel. Ela tem origem no oriente e entre os anos de 1930 e 1940, foi disseminada pelo nordeste ilustrando ricamente a literatura de cordel. Inspirado em toda essa temática, Carlos Henrique Pereira da Silva, de 34 anos, começou a reproduzir essa técnica como tatuagens e está caindo no gosto dos que apreciam a xilogravura em Palmas.
Natural de Araguaína, foi em 2015 que Carlos teve o primeiro contato com essa técnica e, segundo ele, foi amor à primeira vista. “Fui pesquisar a fundo o que era xilogravura, da onde surgiu, as técnicas que ela leva, o tipo de material e a sua execução. Fui me aprofundando e em 2017 passei em um edital para fazer minha primeira exposição individual, que se chamou ‘Xilogravura Negra’”, relembrou o artista e tatuador.
Matrizes de xilo tattoo que vão virar arte na pele
Carlos Henrique Pereira da Silva/ Divulgação
Na época, pessoas que estavam próximas de Carlos diziam que ele deveria investir na carreira de tatuador pela qualidade dos desenhos.
“Minha xilogravura é muito expressiva, ela mexe com o sentimento e memórias humanas. E todas as pessoas que viam, tanto meus amigos como clientes, diziam que tinham muito cara de tatuagem. Então por muitas pessoas me apoiarem, decidi me tornar um tatuador”, contou.
Trabalho autoral do tatuador
Carlos Henrique Pereira da Silva/ Divulgação
Arte na pele
Em 2020, Carlos disse que passou a deixar sua arte na pele de clientes. Ele pediu demissão do emprego e foi viver o sonho de transformar as xilogravuras em tatuagem. Ele até começou a tatuar e se especializou no estilo ‘realismo’. Mas ainda faltava coragem para divulgar seu trabalho com a xilogravura, o que só aconteceu neste ano.
“Comecei a fazer enquetes para as pessoas para saber o que elas achariam da ideia de transformar as minhas ‘xilos’ em tatuagem e começou a fluir”, comemorou o tatuador.
Homenagem em forma de ‘xilo tattoo’
Apaixonada por tatuagens, a jornalista Luma Nunes foi uma das clientes que escolheu ter a arte de Carlos gravada em seu corpo. Junto com uma amiga, ela tatuou a xilogravura de uma capivara. A escolha é em homenagem ao apelido interno que elas usam e representa o carinho e a amizade.
“A xilogravura é bem interessante porque faz o desenho na madeira como se fosse um carimbo. O que me chamou atenção é que por mais que a tatuagem seja repetida, porque a gente usou a mesma matriz, cada uma carimba diferente na pele. Então por mais que sejam desenhos iguais, na hora de carimbar elas acabam ficando diferentes e únicas”, contou a jornalista.
Como Luma disse, a forma de passar o desenho para a pele é um pouco diferente das tatuagens tradicionais, em que é usado um papel de decalque para transferir o desenho base para a pele. Carlos explicou que usa um material de piso vinílico, que é mais maleável e se adapta ao local do corpo escolhido para o desenho. Com o mesmo processo que seria de entalhar a madeira, é feito o desenho nesse material.
“Vou esculpindo as rachuras e coloco a tinta de decalque em cima dessa matriz e colo na pele do cliente. Quando eu tiro, o que eu fiz no piso vinílco emborrachado fica na pele e assim vou transformando em tatuagem”, detalhou o tatuador sobre o processo diferenciado.
E a jornalista gostou tanto que fez outro desenho nesse estilo. Dessa vez, continuou retratando a fauna brasileira e escolheu um uruatau, ave que pode ser encontrada no Brasil e em países da América Latina. “Eu acho bem bonito que o traço é rústico. Em umas partes são delicadas e outras são mais grossas. Acho bem legal na pele, bem diferente”, completou Luma.
Tatuagens feitas pelo tatuador em Luma Nunes
Arquivo pessoal
Outros estilos
Old School, new school, pontilhismo, blackwork, geométrico, single line, minimalista e até desenhos feitos só com tinta branca ou vermelha. Este são alguns dos diversos estilos da arte da tatuagem. Mas há muitas outras opções para agradar a todos os gostos.
Um dos que chama muito a atenção é o realismo, em que imagens ou fotos são feitas como um porta-retrato na pele. Felipe Alves do Lago, ou Flepa, é um dos representantes da tatuagem realista em Palmas.
Com apenas 25 anos, está há 5 no mundo da tatuagem. Depois de sofrer um acidente de moto, passou um tempo recebendo benefício do INSS. Mas quando perdeu essa renda, resolveu viver do sonho de deixar sua arte no corpo de outras pessoas.
Até fez cursos para a profissão, mas quando estava quase desistindo por não ter como pagar, ele encontrou uma caneta especial para desenho e entendeu como um ‘aviso do universo’ para seguir com a ideia de ser tatuador.
“Um dia fui em uma praça e no banco da praça tinha uma caneta nanquim foi onde eu vi que não poderia desistir, que nada é por a caso. Ganhei forças e novamente fui atrás de estudos, internet, livros, perguntando para tatuadores antigos da cidade. Fui gostando e estudando cada vez mais a profissão, me especializei no realismo foi onde eu vi que aquele estilo era para mim”, contou.
Um dos trabalhos feitos pelo tatuador Felipe, ou Flepa, como é conhecido
Arquivo pessoal
Sobre o realismo, Felipe completou. ” O grande desafio desse estilo de tatuagem é conseguir combinar as cores usadas na tatuagem com o tom de pele da pessoa tatuada para que a imagem fique a mais perfeita possível, sempre buscando aperfeiçoamento”.
Ele conta também que esse estilo vem sendo muito procurado pelos clientes em Palmas. “A procura por esse estilo está cada vez mais frequente, e sempre buscando deixar os trabalhos mais fiel possível para isso temos que sempre estar estudando”, afirmou o tatuador.
Letras diferenciadas
Outro estilo diferente é o chamado letterring, em que as letras formam uma verdadeira obra de arte na pele. A artista Renata Laís de Meneses e Costa, de 22 anos, é especialista nesse estilo, que para ela começou no papel e agora é feito na pele de clientes.
“Eu já fazia lettering há algum tempo. Então comece na tatuagem bem firme nesse estilo. Ele usa das palavras para criar uma arte e dentro do lettering há outros estilos de escrita que podem mudar totalmente a estética das palavras”, explicou a tatuadora.
Ela cita ainda que nesse estilo, há a caligrafia, com letras cursivas, com muitas voltas e ornamentos ou gótico, com letras quadradas. “Cada artista tem a liberdade para customizar da sua forma, para dar sua personalidade para a fonte”, disse.
Dentro do estilo também tem o dark lettering, com letras ‘ilegíveis’ e ornamentais, considerado por Renata o mais artístico dentro da sua especialidade. “Porque é mais importante a estética, mas ao mesmo tempo visualmente é o mais agressivo, mais bruto, mais pesadão. Então é um estilo muito complexo. Abrange todos esses estilos de uma forma diferente. Transforma uma palavra em arte”.
Entre as influências que levaram a artista a tomar pelo gosto pelo estilo estão grafiteiros e artistas de rua. “Essa cena tem muita influência, principalmente aqui no Brasil. Conheci, me apaixonei e comecei a estudar mais”, contou a tatuadora.
Tatuagem em dark lettering, estilo preferido da tatuadors Renata Laís
Arquivo pessoal
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins
