“Ele salvou minha vida”, diz Edilson Rodrigues, de 39 anos, sobre companheiro que adotou há quase um ano. Os dois estão abrigados em barraca montada na Praia da Graciosa há cinco dias. Morador de rua toma banho no Lago de Palmas com seu gatinho Tom
A dificuldade de não ter um lugar para morar juntou o destino de um maranhense e um gatinho, que teria tudo para não sobreviver. Edilson Rodrigues, de 39 anos, e Tom, nome que ele deu ao seu companheiro encontrado nas ruas de São Paulo em 2021, estão dormindo há cinco dias uma barraca na Praia da Graciosa, em Palmas, mas buscam por dias melhores enquanto se abrigam no ponto turístico da capital tocantinense.
Tom tem até perfil no Instagram, o @tomdasruas, e nas postagens, chama a atenção como o gatinho é cuidado por seu tutor, que até o veste com roupas, boné e guia, e caminha com ele em seu ombro pelas ruas.
Tom também não se incomoda nem um pouco em se refrescar no Lago de Palmas e seu tutor faz questão de mostrar o costume em vídeos do gatinho nadando na praia.
Mas a dupla ainda enfrenta dificuldades e Edilson está em busca de um emprego para poder alugar uma casa e morar com seu fiel amigo. Ele mantém uma placa, onde explica sua situação e pede uma oportunidade ou doações enquanto anda pelas ruas da capital com Tom em seu ombro.
Tom vestido para passear com Edilson
Arquivo pessoal
Início da amizade
No dia 24 de junho de 2021, o maranhense Edilson Rodrigues morava nas ruas ao redor da Praça da Sé, em São Paulo (SP) e enfrentava um quadro de depressão e uso de drogas. Mas um encontro especial o faria ter vontade de recomeçar e ainda o levaria a conhecer o Tocantins. Neste dia, que também é seu aniversário, ele encontrou um gatinho revirando o lixo para se alimentar e vendo que eles tinham dificuldades parecidas, resolveu adotá-lo e buscar uma vida melhor para ambos.
“No dia do meu aniversário eu tentei tirar a minha própria vida. Foi quando eu encontrei ele revirando lixo. Não tinha nem dois meses e estava em um caixinha de sapato, todo sujinho. Como eu estava já em situação, prometi que ia cuidar dele, que iria arrumar um serviço e conseguir dar um lar para nós”, conta.
Edilson também explica como conseguiu fazer com que Tom aceitasse usar adereços. “Eu comecei a passear com ele, a adestrar, acostumei ele com roupinhas e bonés”.
Viagens
Edilson e Tom pedem ajuda em estação de ônibus de Palmas
Kaliton Mota/ TV Anhanguera
Desde então, Tom acompanha Edilson para todos os lados. Ainda em São Paulo, conseguiu doações para alugar uma casa e comprar equipamentos para trabalhar com venda de espetinhos, mas o negócio não foi para frente. “Não me dei bem com as vendas. Foi quando tive uma ideia de começar a viajar e bater nas portas pedindo uma oportunidade de emprego”, diz o morador de rua, que também conta que com as doações de pessoas que se admiraram com a história da dupla, ajudaram a comprar passagens para Brasília (DF) e Goiânia (GO).
Depois dessas paradas, que também tiveram dificuldades e frustrações, Tom e seu ‘pai’, conseguiram uma passagem para Palmas. “Em Goiânia, um rapaz inteirou uma passagem para eu vir para cá, dizendo que aqui tinha bastante oportunidade de emprego, que estava expandindo a área da construção civil”.
Eles desembarcaram na capital na última segunda-feira (6) e desde então continuam vivendo de doações. “Tenho me virado através de doações. As pessoas fazem Pix e eu compro ração. Também preciso de doação de roupas, porque estou com a mesma já vai fazer uma semana. Enfim, alimentação as pessoas me dão”, conta, relembrando ainda que foi assaltado e ficou somente com uma peça de roupa.
Planos para o futuro
Mesmo com as dificuldades e incertezas, Edilson não deixa de sonhar e fazer planos para sua vida com o gatinho Tom. Entre as oportunidades que gostaria de ter, ele cita que queria trabalhar em pet shop, para não se afastar de seu filho Tom.
“Meu plano é cuidar dos animais, dos bichinhos de rua. Conseguir doações de para alimentar eles e futuramente montar uma ONG acolhedora de animais. Dedico minha vida e amor aos animais e principalmente para o Tom, porque eu amo esse gato e não largo ele por nada nesse mundo”.
Gatinho Tom é alimentado com ajuda de doações
Arquivo pessoal
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Fonte: G1 Tocantins
