Cirurgia de emergência do cantor Henrique: entenda o que é herniorrafia inguinal bilateral

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A herniorrafia inguinal bilateral foi a cirurgia de emergência à qual o cantor Henrique foi submetido após sentir dores intensas, o que levou ao cancelamento de dois shows da dupla com Juliano. O procedimento foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, e o artista já recebeu alta. Segundo a equipe da dupla sertaneja, Henrique deverá permanecer em repouso por orientação médica até a próxima quarta-feira (8), quando passará por uma reavaliação (entenda em detalhes abaixo).
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De acordo com a nota divulgada pela equipe, Henrique se apresentou ao lado do irmão Juliano no último sábado (27), em Petrolina (PE), mesmo sentindo forte desconforto. Após o show, decidiu procurar atendimento médico em Goiânia, onde foi submetido à cirurgia no domingo (28).
Para explicar o procedimento e os casos em que ele é indicado, o g1 ouviu especialistas.
Henrique começou a sentir dores intensas na região inguinal direita no sábado (27)
Reprodução/Instagram de Juliano
O que é a herniorrafia inguinal bilateral?
Hernia inguinal
Arte/g1
???? Segundo o cirurgião especialista em hérnias abdominais Cassio Gontijo, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Íris Rezende Machado (HMAP), a herniorrafia inguinal bilateral é a cirurgia utilizada para corrigir hérnias na região da virilha, nos dois lados.
“Essa cirurgia é indicada na maioria dos casos em que exista hérnia da região inguinal. A hérnia é uma doença eminentemente de tratamento cirúrgico. Não existe medicação ou tratamento fisioterapêutico capaz de fechar esse orifício da parede abdominal”, explicou.
O especialista ressaltou que existem situações específicas em que a cirurgia pode ser adiada ou até contraindicada, mas são exceções. De forma geral, todas as hérnias inguinais exigem tratamento cirúrgico, que deve ser programado o quanto antes. Em casos de urgência, a cirurgia precisa ser realizada em poucas horas.
O cirurgião geral Fernando Gonçalves, do Bem-T Care Hospital Boutique, acrescentou que a intervenção imediata é necessária quando a hérnia provoca obstrução intestinal ou compromete a circulação sanguínea do órgão preso na hérnia.
“O tratamento cirúrgico imediato está indicado na vigência de uma semioclusão ou oclusão intestinal, quando há sofrimento vascular do conteúdo herniário. Isso causa dor muito intensa, náuseas, vômitos, distensão abdominal, perda do apetite e sudorese. Pode ser um caso eventualmente até dramático.”
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Quais são os sintomas?
Cassio Gontijo explicou que as hérnias abdominais surgem quando há um defeito na musculatura da parede abdominal, permitindo a passagem de estruturas internas, como gordura, intestino delgado, intestino grosso e, em casos mais raros, partes do estômago ou do fígado.
Na maioria das vezes, o tratamento é eletivo, com cirurgia marcada previamente. Entretanto, quando ocorre o encarceramento ou o estrangulamento da hérnia — situações em que o conteúdo fica preso e tem o fluxo sanguíneo comprometido — o quadro passa a exigir atendimento de urgência ou emergência.
Segundo o médico, o exemplo mais comum é quando uma alça do intestino delgado fica presa dentro da hérnia. Sem irrigação adequada, o tecido pode perder a viabilidade e até morrer, provocando complicações graves.
Os principais sintomas são:
abaulamento ou aumento de volume na região da virilha;
assimetria que não desaparece com repouso ou leve massagem;
dor e desconforto progressivos no local.
Nos casos mais graves, podem surgir vermelhidão intensa, aumento da temperatura da região e, em situações extremas e raras, perfuração intestinal.
“O mais comum é um volume que não retorna para a cavidade abdominal, mesmo com repouso, acompanhado de dor. Isso caracteriza um encarceramento da hérnia e exige tratamento em regime de urgência”, afirmou Cassio.
Fernando Gonçalves explicou ainda que muitas pessoas convivem com a hérnia inguinal sem apresentar sintomas por anos.
Segundo ele, a doença resulta de um desequilíbrio entre a capacidade da parede abdominal de conter as vísceras e o aumento da pressão dentro do abdômen. O ganho de peso ao longo da vida costuma favorecer esse processo, principalmente em pessoas que já apresentam uma fragilidade natural da musculatura desde o nascimento.
Qual é o tempo de recuperação?
De acordo com Cassio Gontijo, a recuperação costuma ser rápida, especialmente quando a cirurgia é realizada por técnicas minimamente invasivas, como videolaparoscopia ou cirurgia robótica.
“Em uma cirurgia eletiva minimamente invasiva, o paciente geralmente retorna às atividades habituais entre três e cinco dias, desde que não exijam esforço físico.”
Já atividades que demandam maior esforço, como exercícios físicos intensos, corrida ou apresentações musicais, devem ser retomadas somente após cerca de um mês, conforme orientação médica.
“O retorno às atividades habituais é muito rápido, próximo do quinto dia pós-cirurgia. Já as atividades físicas mais intensas ou a realização de shows precisam de um intervalo maior para garantir uma recuperação adequada”, concluiu o especialista.
Henrique e Juliano
Divulgação
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Fonte: G1 Tocantins