Cauã Reymond define ‘Jogada de Risco’ como ‘o proibidão do futebol’: ‘Envolve sexo, noitada, doping…’

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“É o proibidão do futebol”: Cauã Reymond fala sobre cenas de sexo em “Jogada de Risco
As cenas de sexo de “Jogada de Risco” dominaram as conversas nas redes sociais desde a estreia da série, na quinta-feira (23), no Globoplay. A produção aborda os bastidores do futebol e acompanha tramas de personagens envolvendo negociações milionárias, relações de poder, ética, homossexualidade, saúde mental, bets, entre outros temas.
Mas os primeiros minutos do primeiro episódio, envolvendo cenas de nudez e até o uso de uma cintaralha (cinta peniana), foram muito mais comentados do que, por exemplo, a imagem de Maurício, personagem de Cauã Reymond, prestes a ser arremessado do alto de um estádio.
Para Cauã, que além de atuar é responsável pela idealização do projeto, essa resposta não foi inesperada.
“A série foi vendida nesse lugar também. Ela é o proibidão do futebol. E o proibidão envolve sexo, né? Envolve festa, noitada, doping, situações delicadas. Esse era o objetivo desde o começo. A série foi inspirada na realidade, não em fatos reais”, conta o ator em entrevista ao g1.
“Desde o começo, a ideia era retratar o futebol, não no lugar de elogio ou de sonho, mas dentro do que a gente tem curiosidade de saber, que são essas festas, de como são esses rolês, as coisas que a gente ouve falar.”
Cauã Reymond como Maurício em “Jogada de Risco”
Fábio Rocha/Divulgação
Para chegar aos temas, Cauã fez um processo de pesquisa profunda inspirada no roteirista Aaron Sorkin. O ator conversou com agentes, técnicos, dirigentes, assessores de imprensa, jogadores, ex-jogadores e jornalistas.
Questionado se ficou chocado com algum caso que teve conhecimento, ele nega.
“Sou um homem maduro, tenho mais de duas décadas de carreira e de vida. Foi uma confirmação, um: ‘ah então é assim que acontece, é desse jeito que se desdobra’. Teve um ou dois assuntos que eu falei: ‘sério, isso acontece?’.”
Cauã conta que, ao longo da pesquisa, construiu uma relação de muita confiança com suas fontes. E que, em certo momento, pediu para que não fossem revelados os nomes dos personagens da vida real.
“Num certo momento, eu falava assim: ‘eu não quero mais saber o nome do Santo, só me conta o milagre’.”
Cena criada por Cauã encontrou eco na realidade
Bruna Griphao é Daniele em “Jogada de Risco”
Globo/ Estevam Avellar
Uma das cenas mais comentadas do primeiro episódio não foi descoberta de pesquisa, mas criada pelo próprio Cauã. Nela, a garota de programa Daniele, interpretada por Bruna Griphao, contracena com o jogador Luan, papel de Juan Paiva.
“A cena da cintaralha. Isso é uma ideia minha. Quando eu pensei nela, eu queria alguma coisa que impactasse o público e que instigasse”, conta o ator.
Ele ainda afirmou que, embora não tenha ouvido nenhum relato sobre o tema ao longo das pesquisas, descobriu nos bastidores da gravação que a cena se encaixava em seu padrão de produção de contar histórias com base na realidade.
“Uma pessoa que estava ali filmando um dos nossos atores falou que sabia exatamente de um ou dois jogadores que tinham esse hábito. E sem julgamento nenhum. Esse era um objetivo: trazer algo marcante. E que eu descobri no set que não era minha invenção. Era uma coisa até bem mais comum do que eu imaginava.”
Terapia em cena?
Cauã Reymond e Mariana Sena na festa de lançamento de “Jogada de Risco”
Bob Paulino
Uma das tramas de “Jogada de Risco” envolve a relação conturbada entre Maurício (Cauã) e o pai, Valdemar (Marcos Frota). Há alguns anos, o ator revelou, em entrevista, que por morar em cidade diferente do pai, sentia falta da presença física dele. Questionado se a série foi espaço para terapia quando o assunto era relação paterna, Cauã nega.
“Nunca faço terapia [em cena], faço terapia antes. No analista mesmo. E cada vez num valor mais alto.”
“Eu acho que o trabalho artístico serve para você, claro, se aproximar das suas emoções. E a análise, para mim, serve muito num lugar de entender onde eu tenho proximidade ou não com esse personagem. Mas o lugar onde eu acho que acontece uma terapia do personagem, e que é muito importante para mim já há uns bons 15 anos, é com o preparador de elenco.”
O ator diz que, foi fazendo este trabalho de preparação que aprendeu a chegar o mais seguro possível no set.
Como nasceu ‘Jogada de Risco’?
Cena de “Jogada de Risco”
Reprodução/Globo
Lançada em 23 de setembro, “Jogada de Risco” tem Cauã como idealizador e roteirista. Ele assina a criação da obra com Thiago Dottori e Sofia Maria. Bruno Safadi assina a direção do projeto e, Isabela Bellenzani, a produção. A supervisão de texto é de Lucas Paraizo. A série ganhará 2 novos episódios a cada quinta-feira (somando 8 no total) até 13 de agosto.
Cauã teve a ideia da produção há pouco mais de 6 anos ao assistir “Ballers”, com Dwayne Johnson ‘The Rock’ como protagonista. A série acompanha a vida de jogadores da Liga Nacional de Futebol Americano fora do campo.
“Eu acho super distante do nosso universo, mas ali me deu um clique. ‘E como seria falar sobre os bastidores do futebol?’. Eu tô acostumado às pessoas terem muita curiosidade sobre a minha vida, a vida de artistas, de cantores, etc.. E eu também sempre tive muita curiosidade no que acontece nesse universo de transação, nas festas, de lesão, dos bastidores dos atletas”, conta.
A partir do momento em que teve a ideia, Cauã começou a colocar o projeto em prática.
“Eu sou bem objetivo e pragmático nesse sentido, até para entender se isso vai ter futuro ou não. Há muito tempo venho batalhando e desenvolvendo o projeto, então sou um cara que coloca a mão na massa assim. Por isso que eu durmo tão pouco.”
A ausência de horas de sono segue sendo uma questão para a Cauã mesmo após a estreia, com a série sendo conhecida e comentada pelo público.
“Eu acho que alguma parte do meu cérebro tá ligado e não desliga, porque tem uma excitação, tem lugar de alívio, de que o filho nasceu, nasceu com saúde e a gente vem recebendo elogios.”
Fim da atuação?
O ator Cauã Reymond em cena do filme brasileiro “A Viagem de Pedro”
Divulgação
Com “Jogada de Risco”, Cauã fez sua estreia como idealizador e roteirista. No currículo, ele já tinha o posto de produtor desde 2008, quando assinou “Se nada mais der certo”, de José Eduardo Belmont, como produtor associado.
Mas, apesar de ocupar cada vez mais posições nos bastidores, Cauã garante que não pretende pendurar as chuteiras como ator.
“Nunca. Eu tenho hoje um trabalho como empreendedor, como empresário, e agora como produtor de uma forma mais sólida. Mas a atuação é um lugar que eu amo, é um lugar necessário. Não era um sonho de infância, eu era atleta. E me sinto muito grato porque fui escolhido pela profissão.”
“Eu gosto muito do trabalho, de estar no set, de poder encarar um Tony Ramos como parceiro de cena, uma Fernandona, uma Mariana Sena, uma Letícia Colin, um Ricardo Teodoro, que eu sou fã.”
Cauã boleiro?
Cauã Reymond como Jorginho em “Avenida Brasil”
Rede Globo / Alex Carvalho
Apaixonado por jiu-jitsu e surf, Cauã conta que o futebol nunca esteve presente em sua casa ou rotina.
“Eu sempre joguei bola mal. Para fazer o Jorginho lá em ‘Avenida Brasil’, eu fiz muita aula”, revela, o ator, que ainda relembrou os tempos de formação de time na infância.
“Eu era o último a ser escolhido. E muitas vezes não era. Eu era aquele cara que olhavam, tinha um cara passando… Aí quando não tinha ninguém, falavam, Cauã, vai pro gol. E eu ia pro gol.”
“Na escola, eu era o contrário do que é ser popular. Isso realmente contava, tinha um peso para as meninas, né? Mas olha, eu dei sorte, porque depois eu joguei basquete direitinho, então o trauma não foi tão grande assim.”
Cauã Reymond (Maurício) com Mariana Sena (Cris) e em “Jogada de Risco”
Globo/Manoella Mello

Fonte: G1 Entretenimento