Casos de feminicídio contra mulheres indígenas preocupam comunidades e especialistas

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Nos últimos meses duas indígenas foram assassinadas no estado. Pesquisadora indica falta de notificações e políticas públicas voltadas para o combate à violência nas aldeias. Casos de feminicídio em aldeias do Tocantins preocupam instituições
Casos de violência contra mulheres tem se tornado mais frequente nas aldeias e preocupado as comunidades. A jovem indígena Rarajuty Karajá, de 21 anos, estava grávida de quatro meses quando foi brutalmente espancada pelo companheiro e morreu no hospital.
Em um vídeo feito após a agressão ela aparece em um carrinho de mão desacordada. O crime aconteceu à meia-noite do dia 30 de outubro na aldeia na Ilha do Bananal. Ela foi levada para uma UTI em Cuiabá (MT), mas não resistiu e morreu no dia 22 de outubro.
A jovem era muito querida pela comunidade e pouco tempo antes tinha participado de em um protesto pedindo o fim da violência. O crime gerou revolta na comunidade e a família pede Justiça.
“O marido dela chegou do nada falando um monte de besteira, aí bateu. Bateu ela muito. Aí nós estamos lutando para pegar polícia [sic]”, disse Mabulewe Karajá, irmão da vítima.
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O indígena que agrediu Rarajuty na Ilha do Bananal é menor de idade e por isso a Justiça pediu uma manifestação da Funai quanto à possibilidade de internação.
Na última quarta-feira, 30 de novembro, outro caso de feminicídio contra uma indígena foi registrado em Santa Fé do Araguaia. Marinalva Karajá, de 41 anos, foi morta a facadas pelo companheiro.
Casos de violência contra mulheres indígenas crescem em todo o país. A professora indígena Sheila Baxy Apinajé, do povo Apinajé, fala da dificuldade enfrentada pelas mulheres para se posicionar.
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Arte g1
“Nós mulheres estamos percebendo esse ato de violência, o machismo está falando mais alto, mas nós estamos na luta e conseguindo ocupar, tanto dentro da aldeia como na cidade. Estamos levando essa voz feminina falando sobre a violência”, disse.
Rafaela Karajá, líder e pesquisadora, denuncia a falta de comprometimento das organizações notificar os casos corretamente como violência doméstica e que isso atrapalha o avanço de políticas públicas para combater estes crimes nas aldeias.
“Fazer as devidas notificações, os hospitais quando recebem uma mulher agredida de fazer a notificação, notificar a delegacia e os órgãos de proteção para que essa mulher seja protegida e aí sim a gente ter esse controle do que vem acontecendo dentro dos territórios e saber como isso pode ser trabalhado”, disse a pesquisadora.
O que dizem a Funai e a Polícia Civil
Sobre o caso da indígena Rarajuty, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que está adotando as medidas necessárias em relação ao menor suspeito da agressão, juntamente com o judiciário.
Sobre o caso da indígena Marinalva, a Polícia Civil informou que homem foi levado para a delegacia de Araguaína e autuado em flagrante por feminicídio.
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Fonte: G1 Tocantins