Acordo bipartidário sobre controle de armas no Senado americano sinaliza progresso tímido e aquém do esperado por Biden

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Proposta rejeita aumento de idade de 18 para 21 anos na compra de fuzis, mas avança na verificação de antecedentes dos compradores Senado americano anuncia acordo sobre armas
É tímido, mas representa um progresso, o acordo bipartidário anunciado neste domingo (12) por senadores americanos na tentativa de conter a violência armada que prolifera como uma epidemia nos Estados Unidos.
A proposta abandona as expectativas de aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para a compra de fuzis, mas avança nas verificações de antecedentes dos compradores.
O consenso, embora incipiente e ainda não redigido, significa também que ambos os partidos cederam em suas convicções.
Cidadãos americanos devolvem armas pessoais em ato em Utah para estimular descarte, em 11 de junho de 2022.
Associated Press
Democratas entenderam que era melhor um modesto acordo do que nada. Conseguiram cooptar os dez republicanos necessários para evitar a obstrução no Senado e pôr fim a um impasse de mais de duas décadas no tema do controle das armas.
Se esta proposta bipartidária de nove itens for transformada em legislação, será possível estabelecer, com financiamento federal, as chamadas leis de bandeira vermelha, que permitem à polícia confiscar armas de pessoas consideradas perigosas para a comunidade. E também a destinação de recursos para serviços de saúde mental e medidas de segurança nas escolas.
Manifestantes marcham em Washington pedindo mais controle de venda de armas nos EUA, em 11 de junho de 2022.
Ted Hesson/ Reuters
O plano estabelece o reforço nas verificações de antecedentes de menores de 21 anos antes que possam comprar uma arma. Os dois atiradores do supermercado em Buffalo, em Nova York, e da escola de ensino fundamental em Uvalde, no Texas, tinham 18 anos e adquiriram fuzis sem qualquer dificuldade.
Os massacres aceleraram uma resposta republicana ao controle de armas, ainda que tenha ficado aquém do que propôs o presidente americano, há dias, num apelo emocionado ao Congresso entremeado com a palavra “basta”. Biden disse que está pronto para sancionar a nova legislação, assim que ela pousar em sua mesa, embora reconheça as limitações. “O acordo não faz tudo o que acho necessário, mas reflete passos importantes na direção certa”, resumiu.
De fato, é a maior brecha que os defensores do controle de armas conseguiram abrir. Há alguns desafios pela frente a serem superados: os dez republicanos precisam resistir à pressão dos grupos de defesa de armas, e os democratas têm que vencer a corrida para ver a lei aprovada antes das eleições legislativas, que ameaçam alterar a configuração do Congresso.
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Fonte: G1 Mundo