Vereador invade consultórios e atrapalha atendimento a pacientes em UPA, diz relatório; parlamentar nega

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Reclamação é contra o vereador Flávio Cabanhas (PTB) e Procuradoria Municipal enviou relatório ao Ministério Público Estadual (MPTO). Vereador de Araguaína invade consultórios e interrompe atendimentos
Uma visita do vereador Flávio Cabanhas (PTB) à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Anatólio Dias Carneiro em Araguaína, norte do estado, gerou confusão no local. Um relatório da unidade sobre a visita informa que ele intimidou servidores e atrapalhou o atendimento de pacientes.
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O caso aconteceu no fim de junho, e a prefeitura recebeu o relatório da diretoria da UPA para tomar providências. A unidade é gerida pelo Instituto Saúde e Cidadania (Isac), que não quis se manifestar.
O parlamentar nega que tenha causado problemas no atendimento e que estava cobrando melhores condições de atendimento aos pacientes, que reclamaram de demora na unidade. (Confira o posicionamento abaixo)
A Prefeitura de Araguaína informou que tem conhecimento sobre a situação e o caso foi informado ao Ministério Público Estadual para que providências e medidas jurídicas sejam tomadas. (Veja a nota completa no fim da reportagem).
O MPE informou que ainda não recebeu nenhum processo sobre o caso.
Vereador entrou em consultórios da UPA
Reprodução
Confusão nos corredores
Flávio Cabanhas chegou à unidade pouco depois das 12h, no dia 28 de junho, segundo o relatório. Ele solicitou informações sobre um paciente que estava aguardando transferência para o Hospital Regional de Araguaína (HRA).
O vereador foi recepcionado por uma funcionária e estava sendo acompanhado até o paciente. A orientação era para ele não entrar nos consultórios ou na sala vermelha, que atende pacientes graves. Mesmo assim, segundo a prefeitura, o parlamentar entrou nos consultórios durante atendimentos, fez barulho e ainda coagiu funcionários, dizendo que poderia entrar por ser ‘portador da voz do povo’.
A diretora da unidade, que não teve o nome informado pela gestão, foi até Flávio e ainda reforçou as orientações. Mas ele “determinou que abrissem as portas dos consultórios visando seguir com a vistoria”, segundo consta no relatório.
Em um dos consultórios que entrou, o vereador teria orientado uma médica a agilizar o atendimento porque tinha muitos pacientes aguardando. Também quis saber da profissional quanto tempo as consultas duravam. A prefeitura ressaltou que no momento da visita havia seis pacientes aguardando por consulta e dois médicos em atendimento.
O vereador, segundo os relatos, seguiu desobedecendo as orientações e chegou sugerir que quem o impedisse poderia responder legalmente e acionaria a polícia. Ou seja, poderia sair preso da UPA.
Posicionamento do vereador
Vereador Flávio Cabanhas (PTB)
Divulgação/Câmara de Araguaína
O g1 conversou com o vereador Flávio Cabanhas que deu versão dele sobre a ‘vistoria’. Ele disse que recebeu informações dias antes que um paciente havia ficado esperando uma noite inteira para receber atendimento na unidade.
A pessoa fez um raio-x e o médico demorou horas para ver o exame, segundo ele.
Diante dessa reclamação, o parlamentar disse que foi até a unidade sozinho e pediu explicações e logo o paciente foi transferido para o HRA. Mas por receber novas reclamações de demora no atendimento da UPA, voltou à unidade no dia 28 de junho, quando aconteceu a situação citada no relatório da diretoria.
“Falei para eles que eu entraria, que tinha essa prerrogativa porque fui eleito pelo povo e assim que eu fosse chamado em qualquer lugar, principalmente no serviço público, eu tinha o direito de entrar”, explicou.
Ele também afirmou que uma pessoa veio para acompanhá-lo na visita e que teria aguardado até a chegada. Além disso, explicou que a entrada nos consultórios se deu por causa dos relatos de demora nos atendimentos que havia recebido dias antes, mas que chegou a bater na portar e pedir para entrar.
“Abri um consultório e não tinha ninguém. Quando abriu outro estava atendendo um paciente. A disse que eu não podia entrar. Eu disse ‘posso sim’. Perguntei como estava o atendimento, procurei com o paciente. Bati na porta e entrei. Eu falei ‘só estou verificando o atendimento’, só isso. Foi muito rápido e a mulher estava no lado. De cinco médicos que elas disseram que estavam lá, apenas dois estavam nos consultórios”, reforçou o vereador.
Sobre o relato de ter feito confusão na unidade, ele rebate: “Desde o meu primeiro dia de mandato eu tenho ido para as ruas, tenho ido para os órgãos públicos do município, tenho verificado como que estão as situações. Agora falar a palavra baderna, isso para mim foi o cúmulo do absurdo”.
Flávio afirmou que imagens do local mostram que ele chegou a ficar esperando nos corredores e conversando com o paciente.
Situação aconteceu na UPA de Araguaína, no dia 28 de junho
Divulgação/Isac
O que diz a Prefeitura de Araguaína
A Secretaria da Saúde de Araguaína informa que tem conhecimento sobre o caso e está tomando as providências legais. O Município recebeu os relatórios da diretoria da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que é administrada pelo ISAC (Instituto de Saúde e Cidadania), e encaminhou o caso para à Procuradoria Municipal, que por sua vez já enviou o processo ao Ministério Público para que as providências e medidas jurídicas cabíveis sejam aplicadas.
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Fonte: G1 Tocantins