Justiça determina que celulares de Briner sejam entregues à família, seis meses após jovem morrer no dia que seria liberado da prisão

0
82

A decisão foi publicada em meio a um ato de protesto realizado pela mãe de Briner. A cozinheira Élida Pereira, se acorrentou ao prédio da Secretaria de Cidadania e Justiça após secretaria arquivar sindicância que apurava circunstância da morte. Briner de César Bitencourt tinha 23 anos
Arquivo pessoal
A Justiça determinou a restituição de dois aparelhos celulares de Briner de César Bitencourt, de 23 anos, à família. A decisão foi publicada nesta terça-feira (25), seis meses após a morte do motoboy. A história do jovem repercutiu em todo o Brasil. Ele estava preso por tráfico de drogas em Palmas, mas conseguiu provar a inocência. Briner passou mal dentro da cadeia e morreu no dia em que seria liberado.
A decisão é do juiz Allan Martins Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Palmas. No documento, o magistrado cita dois celulares que estão cadastrados no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
“Acolho manifestação ministerial, e determino a restituição dos referidos aparelhos celulares, dispensando a apresentação de documentação que comprove a propriedade dos bens”, disse.
A decisão foi publicada em meio a um ato de protesto realizado pela mãe de Briner. A cozinheira Élida Pereira, se acorrentou ao prédio da Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju), em Palmas, na manhã desta terça-feira. Ela também faz greve de fome.
O motivo da manifestação é o recente arquivamento da sindicância sobre as circunstâncias da morte, que era feita pela Seciju, responsável pelo sistema prisional do estado. Essa investigação é administrativa é poderia levar a punições aos servidores envolvidos.
“A última vez que eu vim aqui o secretário garantiu que iria fazer uma sindicância e todos os fatos iriam ser apurados. Depois arquivou dizendo que nada de ilícito foi encontrado na conduta dos agentes. Como? Se eles demoraram para tirar o meu filho da cela. Meu filho foi tirado de lá quase morto. Os dias que ficou preso o atendimento médico foi falho, tudo foi falho. Como não tem nada ilícito?”, questionou a mãe.
Mãe de Briner se acorrentou no pilar de secretaria
Aurora Fernandes/TV Anhanguera
LEIA MAIS:
Mãe se acorrenta e faz greve de fome após secretaria arquivar sindicância sobre jovem que morreu no dia que ia sair de presídio
Jovem de 22 anos passa mal e morre no dia em que seria liberado de presídio no Tocantins
Caso Briner: sindicância que investiga morte de motoboy inocentado após um ano preso é prorrogada
Caso Briner Bitencourt: Justiça manda Estado entregar imagens das áreas onde jovem esteve em presídio nos dias antes de morrer
Governo arquiva sindicância que investigava morte de jovem inocentado após um ano preso
Relembre o caso
Briner foi preso em outubro de 2021 pela acusação de tráfico de drogas durante uma batida policial na casa onde alugava um quarto. Todo o tempo em que ficou preso, tentou provar sua inocência. Antes de ir para a prisão injustamente, ele trabalhava como entregador por aplicativo e fazia vídeos engraçados nas redes sociais sobre rua rotina como como motoboy.
Na prisão ele passou a sentir dores pelo corpo e segundo a Seciju, o quadro de saúde piorou na noite de domingo, dia 9 de outubro, para segunda-feira, dia 10. Ele foi levado para uma UPA da capital, mas não resistiu.
A sentença que determinou a inocência do jovem saiu no dia 7 de outubro, mas ele estava na unidade penal porque ainda não tinha um alvará de soltura. O documento só saiu no dia 10 de outubro, mas Briner já estava morto.
O Tribunal de Justiça foi questionado sobre o atraso na liberação do alvará de soltura e por nota informou que o processo obedeceu ao trâmite normal, ‘sem qualquer evento capaz de macular ou atrasar o andamento do feito’.
Depois da repercussão do caso, o Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo de Briner. “Houve falha. […] Houve um erro terrível e isso é incompatível com a mais elementar ideia de justiça. A expectativa é que o estado tocantinense, como um todo, assuma isso perante a família”, disse o juiz auxiliar do Tribunal de Justiça do Tocantins, Océlio Nobre da Silva.
Briner adoeceu na prisão, mas a família do motoboy nunca recebeu informações sobre o estado de saúde dele. Segundo a Seciju, a pasta seguiu protocolo e isso ocorreu “devido ao sigilo médico/paciente, os atendimentos realizados durante à custódia não são informados”.
O laudo da morte do motoboy foi concluído pela Polícia Científica em novembro, apontando que o jovem teve diversos problemas pulmonares que levaram ao óbito. Segundo o documento, Briner teve tromboembolismo pulmonar, infarto pulmonar, Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e pneumonia bacteriana.
Quase um mês após a morte, a mãe do jovem recebeu um e-mail marcando uma visita ao filho na unidade. A mensagem foi encarada como uma piada de mau gosto e a secretaria abriu uma sindicância para apurar o fato que tratou como “grave falha”.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins