Projeto que começou em 2010 desperta a consciência ambiental em estudantes. O grupo define o destino no início do ano e arrecada dinheiro ao longo dos meses. Latinhas foram coletadas por alunos de Pedro Afonso neste ano
Fabrício Rocha de Sousa/Divulgação
Um projeto desenvolvido com estudantes de escolas municipais e estaduais de Pedro Afonso, na região centro-norte do Tocantins, desperta o interesse pela preservação ambiental e ainda faz com que eles conheçam pontos turísticos pelo Brasil e o mundo.
Chamado de Amigos do Meio Ambiente, o projeto consiste em orientar os alunos a juntarem e venderem materiais recicláveis. O dinheiro das vendas financia uma viagem turística por ano.
Quem colocou a ideia em ação foi o professor Fabrício Rocha de Sousa junto com alunos da cidade ainda em 2010. Eles se juntaram para criar uma praça na cidade e logo depois, começaram a arrecadar materiais recicláveis. Como uma espécie de prêmio, eles se organizavam para conhecer alguma cidade no período de férias. Hoje, participam 45 alunos entre 10 e 15 anos, que estudam em Pedro Afonso e Bom Jesus, cidade vizinha. A última viagem aconteceu no final de agosto e a turma do projeto foi para Rio Quente (GO).
Crianças reciclam latinhas e realizam o sonho de conhecer parque aquático de RIo Quente
“Começamos pelo Jalapão e depois fomos pelo Brasil. Rio de Janeiro, região nordeste, região sul e conseguimos ir até na Argentina e Paraguai. É um projeto que ajuda muito a cidade na parte ambiental, social e principalmente na formação de alunos para serem cidadãos de bem”, contou o professor, que também trabalha como historiador no museu da cidade.
De acordo com Fabrício, os alunos que se interessam em participar se inscrevem no projeto organizado por ele e são orientados a buscarem os materiais fora do horário das aulas. Além disso, também ajudam em outras ações sociais na cidade. Geralmente ao final da tarde, eles se juntam em espaços comunitários como a praça ecológica para desenvolvimento das ações de proteção ao meio ambiente.
“Essas viagens surgiram como uma forma de eu estar incentivando os alunos, porque eles cuidam da praça, ajudam nos projetos sociais e se dedicam muito. E para que eles tenham ânimo de ficar no projeto, ter um ideal de juntar os materiais e gerar uma renda para eles”, explicou.
Parte da quantidade de materiais que os alunos juntaram neste ano
Fabrício Rocha de Sousa/Divulgação
Arrecadação e escolha dos destinos
O professor explicou que eles vendem os materiais para cooperativas e juntam o dinheiro de forma individual. Se o estudante preferir, o próprio professor guarda o dinheiro para pagar as despesas da viagem, que acontece uma vez por ano.
“O projeto é anual e os alunos permanecem de três a quatro anos. Cada um arrecada sua parte para ser justo. Aí viajam geralmente de 30 a 40 pessoas, entre pais e alunos. E quando o grupo é grande, a gente consegue baratear demais a viagem”, disse, ressaltando ainda que as turmas organizam bazares com venda de doces de caju e geladinhos, para complementar as rendas.
Festival aconteceu no inicio de setembro para ajudar nas próximas viagens
Fabrício Rocha de Sousa/Divulgação
Sobre os destinos, Fabrício contou que eles são decididos no início do ano letivo, e muitos são para agregar conhecimento, além da diversão. Por isso, foram algumas vezes para o Rio de Janeiro, e entre os passeios estavam incluídas visitas a museus.
“Acho muito interessante a história do Brasil contada na perspectiva do Rio de Janeiro, que até 1960 era capital do país. Então a gente já foi para lá, para o nordeste e vários estados do Brasil”, explicou.
A primeira viagem internacional foi para a Argentina. A turma com 40 alunos e 16 adultos viajou em julho de 2019 para conhecer o país hermano.
Estudantes juntaram latinhas e outro materiais para vender
Arquivo pessoal
Viagem para Goiás
A viagem organizada desde o início deste ano foi para para curtir um parque aquático em Rio Quente (GO) no final de agosto. A comerciante Kylvania Lopes Bezerra, de 40 anos, tem dois filhos que estudam no Colégio de Tempo Integram Prof° Antônio Belarminio Filho e que participam do projeto.
Ela acompanhou Leo Victor Bezerra Soares, de 15 anos e Kauã Bezerra Soares, de 13 anos, e disse que mais de 90% da viagem foi paga com o dinheiro que os meninos juntaram com a venda de latinhas e ainda com a participação de bazares promovidos pelo projeto Amigos do Meio Ambiente.
“Foi maravilhoso e as crianças se divertiram bastante. Foi um momento muito legal, tanto para mim como mãe, de ver a alegria deles, como para eles, de estarem participando”, relembrou.
Kylvania também falou sobre como é o processo e as orientações para que os alunos consigam juntar os materiais.
“Eles sempre orientam aos pais e alunos que eles não devem andar sozinhos para colher o material reciclável. Isso é importante porque o professor tem essa preocupação. É muito gratificante saber que a gente pode fazer uma viagem dessa sem tirar do orçamento familiar. O professor sempre incentiva para trabalharem junto com a família”, completou a comerciante.
Leo Victor, de 15 anos, e Kauã, de 13 anos, se divertiram após muito trabalho para vender os recicláveis
Kylvania Lopes Bezerra/Arquivo pessoal
Próximos destinos
Desde o início do projeto, em 2010, as turmas já percorreram cerca de 55 mil km em viagens. O trabalho vai continuar com o recolhimento de materiais para reciclagem e bazares na cidade, mas de acordo com o Fabrício, provavelmente não haverá organização de viagem em 2023, pois ele vai precisar se dedicar ao filho que vai nascer.
Mas para 2024 o projeto quer levar os alunos para Fortaleza (CE) e Recife (PE). “Sempre a ideia é intercalar cultura e diversão”, afirmou.
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Fonte: G1 Tocantins
