Vassily Nebenzia se retirou da sala depois que Charles Michel creditou à Rússia a culpa do aumento da fome em diversos países. Embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, durante reunião nesta segunda-feira (6)
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O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, saiu de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (6), quando o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se dirigiu ao órgão de 15 membros e acusou Moscou de alimentar uma crise alimentar global com sua invasão da Ucrânia.
Michel também acusou as tropas russas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, citando especificamente relatos de violência sexual – o foco da reunião do Conselho de Segurança – e descrevendo-a como “uma tática de tortura, terror e repressão”.
Durante sua própria declaração no início da reunião, Nebenzia “refutou categoricamente” quaisquer acusações de violência sexual por soldados russos, condenando o que ele disse ser uma “mentira”.
Ao deixar a câmara do Conselho de Segurança durante a declaração de Michel, Nebenzia visivelmente irritado disse à Reuters: “Eu não poderia ficar” por causa das “mentiras que Charles Michel veio aqui distribuir”.
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, durante discurso em Kiev no dia 20 de abril de 2022
Valentyn Ogirenko/REUTERS
Falando diretamente com Nebenzia enquanto saía, Michel disse: “Você pode sair da sala, talvez seja mais fácil não ouvir a verdade”.
“Senhor Embaixador da Federação Russa, sejamos honestos, o Kremlin está usando suprimentos de alimentos como um míssil furtivo contra países em desenvolvimento”, disse Michel no Conselho de Segurança. “A Rússia é a única responsável por esta crise alimentar.”
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, está tentando intermediar o que ele chama de “pacote” para retomar as exportações de alimentos ucranianos e as exportações russas de alimentos e fertilizantes. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, deve visitar a Turquia na quarta-feira para discutir o desbloqueio das exportações de grãos da Ucrânia.
Fonte: G1 Mundo
