Stéphane Claireaux é do mesmo partido do presidente Emmanuel Macron, foi agredido com pedras e algas quando discutia com manifestantes em frente à sua própria casa. O deputado francês Stephane Claireaux (à esquerda), do partido La Republique En Marche, o mesmo do presidente Emmanuel Macron, discute com manifestantes antivacina em frente à sua própria casa em Saint-Pierre, no arquipélago francês de Saint-Pierre-et-Miquelon, em 9 de janeiro de 2022
Jean-Christophe Lespagnol/AFP
Um deputado francês foi agredido por manifestantes antivacina no domingo (9), no território francês de Saint- Pierre-et-Miquelon, que fica perto do Canadá.
Stéphane Claireaux é do partido de centro República em Marcha, o mesmo do presidente Emmanuel Macron, e foi agredido com pedras e algas quando discutia com manifestantes em frente à sua própria casa.
A agressão ocorre após a Assembleia Nacional aprovar o projeto do governo da França de instaurar um “passe da vacina”, que tornaria a imunização contra a Covid-19 obrigatória para a entrada em estabelecimentos como cafés e restaurantes.
Em meio à discussão sobre o passe da vacina, Macron deu uma entrevista polêmica ao jornal “Le Parisien, em que afirmou que queria “encher o saco” dos não vacinados, usando uma palavra considerada vulgar para um chefe de Estado (o verbo “emmerder”).
A agressão foi condenada pela classe política nesta segunda-feira (10), a agressão contra um deputado da maioria governista em frente à sua casa no território francês de Saint- Pierre-et-Miquelon, em frente à costa canadense, cometida por manifestantes contrários ao passe sanitário.
No domingo (9), o deputado Stéphane Claireaux, do partido centrista República em Marcha (LREM, sigla em francês), do presidente Emmanuel Macron, foi atacado com algas e pedras em sua casa, um atentado que irá denunciar o que, em suas palavras, “pareceu um apedrejamento”.
“Temos visto a intensificação da violência” contra políticos eleitos, lamentou o chefe de Estado francês, durante uma visita a Nice (sudeste) dedicada a questões de segurança, condenando o ataque “intolerável” e “inaceitável” a Claireaux.
Embora os rivais políticos de Macron, que ainda não confirmou sua candidatura à eleição presidencial de abril, tenham condenado o ataque, também denunciaram a tensão criada pelo presidente francês, na semana passada, com suas declarações polêmicas.
“Aos não vacinados, quero muito irritá-los. E é isso que continuaremos a fazer, até o fim”, disse o chefe de Estado em entrevista ao jornal Le Parisien na terça-feira passada (4), no momento em que seu governo busca a implementação de um controverso passe de vacinação.
Em declaração na rádio RMC, o deputado do partido Os Republicanos (direita) Éric Ciotti pediu “sanções contra quem usa a violência de forma um tanto maluca, com argumentos delirantes”, mas também criticou as “provocações” de Macron em busca de “conflito” por motivos eleitorais.
“O presidente da República agiu como incendiário em seu discurso na semana passada, porque atacou pessoas não vacinadas, em vez de tentar convencê-las”, avaliou a candidata à Presidência pelo partido Os Republicanos, Valérie Pécresse, em conversa com o France Info.
O chefe do Partido Socialista, Olivier Faure, criticou que “alguns antivacinas usam as provocações do presidente para justificar sua violência”. O ataque é “absolutamente inaceitável”, tuitou seu colega ecologista Julien Bayou.
O ministro francês das Relações com o Parlamento, Marc Fesneau, voltou-se, na rede Public Sénat, contra as autoridades públicas que deixam os políticos eleitos à mercê da “vingança popular” e qualificou a “pressão física” de “totalitarismo”.
O líder do LREM na Câmara, Christophe Castaner, condenou a “covardia [dos manifestantes] perante um único homem, pacífico, indefeso, que se levantou, que saiu, que quis falar”. Ele lembrou que, em 2021, foram registradas 322 ameaças a deputados, a maior parte de sua legenda.
As declarações de Macron e o recorde de casos de covid-19 em meio à quinta onda marcada pela variante ômicron recolocaram a saúde na linha de frente da campanha eleitoral.
Para os observadores, com essa polêmica, o presidente de centro teve a intenção de impor o tema da covid-19 na campanha. Por enquanto, Macron lidera as pesquisas de intenção de voto, seguido dos candidatos de direita e de extrema direita.
Fonte: G1 Mundo
