Primeiro-ministro do Sudão renuncia em meio a crise aberta por golpe militar

0
149

Renúncia de Abdalla Hamdok ocorre menos de dois meses depois de ter sido reintegrado ao governo, após acordo político com militares. Golpe aconteceu em outubro. O primeiro-ministro do Sudão, Abdalla Hamdok, em Berlim, na Alemanha, em foto de 14 de fevereiro de 2020
Hannibal Hanschke/Reuters
O primeiro-ministro do Sudão, Abdalla Hamdok, renunciou ao cargo neste domingo (2), em meio a uma crise no país gerada por um golpe militar em outubro.
A renúncia ocorreu menos de dois meses depois de ser reintegrado como parte de um acordo político com os militares.
Sudão: entenda em 5 pontos o golpe militar no 3º maior país da África
Hamdok disse que uma mesa redonda era necessária para construir um novo acordo para a transição política do Sudão.
“Decidi devolver a responsabilidade e anunciar minha renúncia como primeiro-ministro e dar uma chance a outro homem ou mulher deste nobre país para … ajudá-lo a passar pelo que restou do período de transição para um país civil democrático”, disse Hamdok, durante um discurso em um canal de televisão do país.
O anúncio gera ainda mais incerteza sobre o futuro do Sudão, três anos depois um levante que levou à derrubada do antigo líder Omar al-Bashir.
Economista e ex-funcionário das Nações Unidas amplamente respeitado pela comunidade internacional, Hamdok tornou-se primeiro-ministro por meio de um acordo entre os militares e civis, após a queda de Bashir.
Demitido e colocado em prisão domiciliar pelos militares durante o golpe, em 25 de outubro, ele foi reintegrado em novembro.
Mas o acordo para o seu retorno foi denunciado por muitos na coalizão civil que o havia apoiado anteriormente e por manifestantes que continuaram a fazer manifestações em massa contra o regime militar.
Manifestantes ateiam fogo a pneus em rua de Cartum, capital do Sudão

Fonte: G1 Mundo