Líder supremo talibã proíbe ‘castigo’ de ex-autoridades afegãs

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O líder do Tabliã não é visto em público, filmado, ou fotografado há anos. Ele determinou que os funcionários do antigo governo não devem ser punidos por ter ‘crimes do passado’. Talibã pendura corpos de supostos sequestradores em guindastes, no Afeganistão
O chefe supremo dos talibãs, mulá Hibatullah Akhundzada, ordenou às suas tropas que “não castiguem” funcionários do governo afegão deposto, depois que várias organizações de direitos humanos acusaram o regime islâmico de violência e de execuções sumárias.
O porta-voz do Talibã, Mohammad Naeem, afirmou que o mulá disse o seguinte: “Respeitem minha anistia e não castiguem os funcionários do regime precedente por seus crimes do passado”.
Uma bandeira do Talibã é colocada na frente de uma motocicleta em Cabul, Afeganistão, em foto de 28 de setembro de 2021
Bernat Armangue/AP
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O mulá não é visto em público, filmado, ou fotografado há anos. De acordo com Naeem, o líder pronunciou-se na noite de quarta-feira (29) diante de autoridades afegãs em Kandahar, um reduto do Talibã.
Essas declarações foram dadas após a divulgação de um vídeo nas redes sociais no qual dois combatentes talibãs são vistos agredindo um ex-oficial do exército.
O emirado islâmico (nome que os talibãs deram ao seu regime) anunciou que um dos soldados seria punido.
Ao retomar o poder em meados de agosto deste ano, o Talibã decretou uma anistia geral. Apesar da promessa, a ONU e as ONGs Anistia Internacional e Human Rights Watch relataram “acusações confiáveis” de execuções sumárias e desaparecimentos forçados de mais de 100 ex-policiais e agentes de Inteligência.
Várias dezenas de mulheres afegãs protestaram nas ruas de Cabul, na terça-feira (28), para exigir que seus direitos sejam respeitados e pelo fim dos “assassinatos” de membros do antigo governo. Foram rapidamente dissolvidas pelos talibãs.
Em seu discurso, Hibatullah Akhundzada também pediu às autoridades locais e aos líderes tribais que garantam que os afegãos não deixem o país.
“Os afegãos não são respeitados em outros países, motivo pelo qual nenhum afegão deveria ir embora”, afirmou.
Milhares tentam ir embora, fugindo do novo regime e da crescente crise humanitária do país, privado de ajuda internacional desde o retorno dos talibãs e da saída das tropas americanas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
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Fonte: G1 Mundo