Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Jeffrey Epstein, é declarada culpada de crimes sexuais

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Socialite britânica foi acusada de recrutar e aliciar quatro adolescentes para Epstein entre 1994 e 2004. Crime de tráfico sexual é punido com 40 anos de prisão. Ghislaine Maxwell em uma coletiva nas Nações Unidas, em 2013
UNTV/Divulgação/ via REUTERS
A socialite britânica Ghislaine Maxwell foi considerada culpada por um júri dos Estados Unidos nesta quarta-feira (29) por ajudar o financista Jeffrey Epstein a abusar sexualmente de adolescentes.
Epstein foi preso em julho de 2019, acusado de abusar de meninas de 14 anos e de operar uma rede de exploração sexual de menores. Ele foi encontrado morto em agosto do mesmo ano, em sua cela em uma prisão de Manhattan, aos 66 anos.
Ghislaine, que namorou o financista na década de 90, foi acusada de recrutar e aliciar quatro adolescentes para Epstein entre 1994 e 2004, informou a agência de notícias Reuters. O crime de tráfico sexual de menores é punido com 40 anos de prisão.
Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein
AFP; Reuters
Junto com os casos do produtor de cinema Harvey Weinstein e do cantor R. Kelly, o caso de Maxwell está entre os julgamentos de maior repercussão ocorridos após o movimento #MeToo, que encorajou mulheres a falarem sobre abuso sexual sofrido por parte de famosos e poderosos.
“Ghislaine Maxwell fez suas próprias escolhas. Ela cometeu crimes de mãos dadas com Jeffrey Epstein. Ela era uma mulher adulta que sabia exatamente o que estava fazendo”, disse a procuradora-assistente dos EUA, Alison Moe.
Os advogados de Ghislaine argumentaram que ela estava sendo usada como bode expiatório para Epstein e procuraram retratar os relatos das quatro acusadoras como não confiáveis, dizendo que suas memórias haviam sido corrompidas ao longo das décadas e que eram motivados por dinheiro.
“A morte de Epstein deixou uma lacuna na busca por justiça para muitas dessas mulheres”, disse a advogada de defesa de Maxwell, Bobbi Sternheim. “Ela está enchendo aquele buraco, e enchendo aquela cadeira vazia.”
Durante o namoro na década de 90, Ghislaine e Epstein compareciam a festas da alta sociedade e viajavam em luxuosos jatos particulares.
Poucos meses após a morte de Epstein, Ghislaine comprou uma casa por US$ 1 milhão em Bradford, New Hampshire, onde permaneceu fora dos holofotes até sua prisão em julho de 2020.
Filha do barão da imprensa britânico Robert Maxwell, Ghislaine estava acostumada a uma vida luxuosa. Seu pai fundou uma editora e era dono de tablóides, incluindo o Daily Mirror. Ele foi encontrado morto em seu iate perto das Ilhas Canárias em 1991.
Julgamento
Durante o julgamento, os jurados ouviram o testemunho de quatro mulheres, duas das quais disseram ter 14 anos quando Epstein começou a abusar delas. Três das mulheres disseram que a própria Ghislaine as havia tocado de forma inadequada.
Uma mulher conhecida pelo pseudônimo de Jane testemunhou que ela tinha 14 anos quando Epstein a abusou pela primeira vez em 1994. Segundo ela, Ghislaine participava às vezes de seus encontros sexuais com Epstein e agia como se fosse normal, Jane testemunhou.
“Isso me deixou confusa, porque isso não parecia normal para mim”, disse Jane. “Eu nunca tinha visto ou sentido nada parecido com isso.”
Moe disse durante sua argumentação final que a presença de Ghislaine fazia as meninas se sentirem confortáveis ​​com Epstein. Caso contrário, receber um convite para passar um tempo com um homem de meia-idade teria parecido “assustador”, disse Moe.
“Epstein não poderia ter feito isso sozinho”, disse ela.
Moe disse aos jurados os registros bancários que viram no julgamento, mostrando que Epstein pagou a Ghislaine milhões de dólares ao longo dos anos. Ela disse que a socialite estava motivada a fazer o que fosse necessário para manter Epstein feliz, a fim de manter seu estilo de vida luxuoso.
A advogada de defesa Laura Menninger rebateu os argumentos finais que Ghislaine era uma “mulher inocente” e que os promotores não haviam provado além de qualquer dúvida razoável que Maxwell estava ciente ou envolvido em quaisquer crimes cometidos por Epstein.
“Eles certamente provaram a você que Epstein abusou de seu dinheiro e de seu poder”, disse Menninger. “Isso não tem nada a ver com Ghislaine e tudo a ver com Jeffrey Epstein.”

Fonte: G1 Mundo