Cinebiografia de Clara Nunes, com a atriz Camila Pitanga no papel da cantora, tem uma grande questão pela frente…

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Clara Nunes (1942 – 1983) – vista em imagem de ensaio fotográfico de 1982 – terá a trajetória contada no filme intitulado ‘Clara’
Wilton Montenegro / Divulgação
♫ OPINIÃO
♬ A vida de Clara Nunes (12 de agosto de 1942 – 2 de abril de 1983) foi mesmo coisa de cinema. Não chega a surpreender que, na onda das cinebiografias de astros e estrelas da música, a Matizar Filmes tenha anunciado a produção de um longa-metragem de ficção sobre a vida da cantora mineira, cuja voz luminosa conquistou o Brasil ao longo da década de 1970 com álbuns como “Alvorecer” (1974), “Claridade” (1975), “Canto das três raças” (1976), “As forças da natureza” (1977) e “Guerreira” (1978), entre outros grandes discos. Caberá à atriz Camila Pitanga interpretar a artista no filme intitulado “Clara”.
Com roteiro de Flavia Vieira e Janaína Tokitaka, a cinebiografia tem uma grande questão pela frente: abordar (mesmo que de forma superficial) ou simplesmente ignorar a tragédia familiar que assombrou a vida de Clara Nunes, mesmo quando a cantora já tinha se firmado na carreira na década de 1970 e vivia na cidade do Rio de Janeiro (RJ), longe do local da tragédia.
Trata-se do assassinato de jovem de 17 anos, Adilson Alvarez da Costa, morto em 3 de setembro de 1957 pelo irmão da cantora, José Pereira Gonçalves, conhecido como Zé Chilau. O crime foi cometido em “defesa da honra” da então adolescente Clara e teve consequências sérias na vida da jovem, que teve que migrar do interior de Minas Gerais para Belo Horizonte (MG) para escapar da ira da cidade em que vivia com a família.
Esse fato trágico na biografia da cantora somente veio à tona em 2007 com a edição da referencial biografia “Clara Nunes – Guerreira da utopia”, escrita pelo jornalista Vagner Fernandes.
Como relata Fernandes no livro, Clara Nunes conviveu com as consequências da tragédia por toda a vida, mas tudo leva a crer que o foco do filme “Clara” será essencialmente direcionado para a trajetória profissional da cantora, que bateu cabeça na segunda metade da década de 1960 até encontrar um caminho e uma identidade artística ao eleger o samba como o mote da discografia a partir de 1971, adotando a estilizada imagem afro-brasileira idealizada pelo radialista Adelzon Alves, produtor musical dos discos que consolidaram Clara Nunes como sambista através de quatro álbuns lançados entre 1971 e 1974.
A cinebiografia “Clara” é projeto realizado pela Matizar Filmes em parceria com a Paraguassu, produtora da atriz Camila Pitanga, e em coprodução com a H2O Produções.
Camila Pitanga é protagonista e coprodutora da cinebiografia da cantora Clara Nunes (1942 – 1983)
Raphael Tepedino / Divulgação Matizar Filmes

Fonte: G1 Entretenimento