R$ 0,16 por saco de carvão: entenda o valor que viralizou e o que a lei diz sobre o trabalho em carvoarias

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Jovem conquista milhões de visualizações ao mostrar rotina com produção de carvão no TO
O vídeo de uma tocantinense mostrando a rotina de ensacar carvão e revelando o recebimento de R$ 0,16 por saco de carvão ensacado ultrapassou milhões de visualizações nas redes sociais e reacendeu o debate sobre condições de trabalho no setor.
Na gravação, Jéssika Borges, de 33 anos, relata a rotina de produção e o valor pago por unidade, o que gerou ampla repercussão e levantou questionamentos sobre direitos trabalhistas e possíveis situações de exploração no trabalho.
Segundo Jéssika, o pai atua de forma informal na atividade, comprando sacos de carvão de 30 kg a 50 kg para ensacar e redistribuir, sem vínculo formal de emprego na etapa mostrada no vídeo.
A jovem relata que ajudava o pai no ensacamento do carvão quando gravou o vídeo e que passou a participar da atividade após a morte do noivo em um acidente de trânsito, como forma de lidar com o luto e se manter ocupada.
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Diferença entre trabalho precário e trabalho análogo à escravidão
A legislação brasileira não considera ilegal, por si só, o pagamento por produção ou valores baixos por unidade de trabalho. No entanto, situações podem configurar crime quando há submissão de trabalhadores a condições degradantes, jornada exaustiva, restrição de locomoção ou servidão por dívida.
De acordo com o artigo 149 do Código Penal, caracteriza-se trabalho análogo à escravidão quando há qualquer uma dessas condições associadas à exploração da dignidade do trabalhador.
A norma também prevê punição para quem submete pessoas a esse tipo de situação, incluindo empregadores e intermediários responsáveis pela cadeia de produção.
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Reprodução/Instagram de Jéssika Borges
O que diz a fiscalização
Órgãos de fiscalização trabalhista utilizam critérios técnicos para identificar irregularidades em ambientes como carvoarias, lavouras e outros setores produtivos. Entre os principais pontos avaliados estão alojamento, acesso a água potável, condições sanitárias, jornada de trabalho e segurança.
Em operações de combate ao trabalho análogo à escravidão, equipes do Ministério do Trabalho e Emprego (MPTE) podem aplicar autuações, resgatar trabalhadores e encaminhar relatórios ao MPTE.
Contexto da repercussão
O vídeo que viralizou integra uma sequência de conteúdos publicados pela jovem sobre sua rotina de trabalho no interior do Tocantins, incluindo relatos pessoais sobre desafios financeiros e mudanças de vida.
A repercussão também reacendeu debates sobre desigualdade social e condições de trabalho em atividades rurais e de produção artesanal de carvão vegetal, comuns em algumas regiões do país.
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Fonte: G1 Tocantins